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Manifestantes vão às ruas em cidades do Irã no terceiro dia de protestos


Por Reuters

13/01/2020 09h21  Atualizado há uma hora


Manifestantes em Teerã no dia 11 de janeiro de 2020 — Foto: Nazanin Tabatabaee/Wana/ via ReutersManifestantes em Teerã no dia 11 de janeiro de 2020 — Foto: Nazanin Tabatabaee/Wana/ via Reuters

Manifestantes em Teerã no dia 11 de janeiro de 2020 — Foto: Nazanin Tabatabaee/Wana/ via Reuters

Manifestantes foram às ruas de cidades do Irã nesta segunda-feira (13) pelo terceiro dia consecutivo para protestar contra o fato de as autoridades do país terem mentido, durante três dias, sobre a queda de um avião civil. A aeronave caiu no dia 8, perto de Teerã, em meio a um conflito com os Estados Unidos.

 

Vídeos mostram o batalhão de choque e os manifestantes de novo nas ruas nesta segunda-feira (13). Em imagens de protestos anteriores, se veem pessoas cantando slogans contra o líder supremo do país, poças de sangue nas ruas e disparos de tiros.

 

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Manifestantes voltam às ruas contra o regime do Irã

As autoridades negaram que a polícia tenha atirado. O presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu, em uma rede social, uma mensagem dizendo para o Irã não matar manifestantes.

O governo iraniano admitiu que derrubou um avião de uma companhia aérea da Ucrânia, vitimando 176 pessoas, horas depois de ter disparado mísseis contra bases dos EUA no Iraque, como retaliação pela morte de seu general mais importante, Qassem Soleimani.

O descontentamento no Irã eclodiu nas ruas depois de três dias em que o governo negou repetidamente que tivesse culpa na queda do avião. As manifestações começaram no sábado (11), quando os militares admitiram que eles mesmos haviam derrubado a aeronave.

Vídeos publicados em redes sociais no domingo (12) à noite mostram tiros na região da praça de Azadi, em Teerã.

Pessoas feridas foram carregadas, e encarregados de segurança foram vistos com rifles. Outras publicações mostram o batalhão de choque atacando manifestantes com cassetetes, enquanto as pessoas por perto gritam para que eles não façam isso.

Entre os vídeos que circulam nas redes sociais, há alguns que mostram manifestantes gritando “morte ao ditador”, em uma referência ao aitolá Ali Khamenei.

“Eles mataram as nossas elites e os substituíram com clérigos”, cantam as pessoas em protestos do lado de fora de uma universidade nesta segunda-feira (13), em uma aparente referência aos estudantes que voltavam para o Canadá que morreram no voo da companhia aérea ucraniana.

A Reuters não conseguiu verificar a autenticidade dessas gravações. A mídia iraniana ligada ao governo relatou as manifestações no sábado (11) e no domingo (12), sem dar detalhes.

 

Confronto entre polícia e manifestantes

 

“Nos protestos, a polícia absolutamente não atirou, porque os policiais da capital receberam ordens para se conter”, disse Hossein Rahimi, chefe da força policial de Teerã, em uma transmissão na internet.

O último confronto do Irã com os EUA acontece em um momento difícil para as autoridades do país do Oriente Médio: as sanções impostas pelo governo de Trump causaram danos na economia.

As autoridades do país mataram centenas de pessoas durante protestos em novembro de 2019 –foi a repressão mais agressiva desde a revolução de 1979.

No Iraque e no Líbano, países que têm grupos armados por Teerã, também tiveram meses de manifestações hostis.

O presidente Trump publicou em uma rede social um texto do conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, que disse que as sanções sufocaram o Irã, e vai forçar o país a negociar.

“Na verdade, eu não me importo se eles negociarem. Ficará a cargo deles, mas sem armas nucleares, e não matem os manifestantes”, ele escreveu.

Um porta-voz do governo do Irã disse que os iranianos sofrem justamente por causa das ações de Donald Trump, e que eles vão lembrar que foi o americano que ordenou o ataque por drone que matou o general Qassem Soleimani no dia 3 de janeiro.

 

Retaliação das duas partes

 

O confronto entre os EUA e o Irã piorou com a saída, por parte dos americanos, do acordo nuclear, em 2018.

Esse era um entendimento que envolvia, além desses dois países, Rússia, China, Reino Unido, França, Alemanha. Por ele, o Irã foi mais integrado à economia global, mas precisou impor limites ao seu programa nuclear.

Trump não gostava do acordo, ele queria restrições maiores ao Irã.

O Irã disse, repetidas vezes, que não vai negociar enquanto houver sanções dos EUA. O país nega que busca ter armas nucleares.

O conflito aumentou em dezembro, quando foram disparados foguetes contra bases dos EUA no Iraque –um civil americano contratado pelo governo morreu.

Para o governo de Trump, os responsáveis por isso foram milícias apoiadas pelo Irã.

Os americanos, então, iniciaram ataques aéreos que mataram ao menos 25 pessoas no Iraque.

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