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Turquia descarta negociação com forças curdas e propõe que elas entreguem as armas


O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, rejeitou categoricamente a proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo, exigiu que os curdos entreguem as armas e abandonem a "zona de segurança" designada por Ancara.

"Dizem-nos que devemos declarar um cessar-fogo. Nunca poderemos declarar uma trégua enquanto a Turquia não expulsar a organização terrorista da fronteira", declarou, em referência às milícias curdas.

 

"Nossa proposta é que agora, esta noite, todos os terroristas entreguem as armas, equipamentos, tudo, que destruam todas as fortificações e abandonem a zona de segurança que estabelecemos", afirmou em um discurso no Parlamento.

 

O objetivo da operação turca é a criação de "uma zona de segurança" de 32 quilômetros de largura ao longo da fronteira para separá-la das áreas sob controle da milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG) e repatriar parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios instalados na Turquia.

 

Mudança nas alianças

 

Com o início da operação militar, em 9 de outubro, contra contra alvos da YPG, Ancara modificou as alianças e transformou o norte da Síria no novo epicentro de uma guerra que devasta o país desde 2011.

Ancara considera que esta milícia, principal integrante das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão árabe-curda, é uma "organização terrorista" por seus vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que opera uma guerrilha na Turquia.

Para contra-atacar a ofensiva turca, as forças curdas pediram ajuda a Damasco, que enviou tropas ao norte do país, sobretudo em Manbij e Ras al-Ain. Graças ao acordo, o regime sírio de Bashar al-Assad retornou a regiões que não controlava há vários anos, e a Rússia, aliada de Damasco, preencheu o vazio deixado pela retirada das forças americanas.

No início, o presidente americano, Donald Trump, parecia aprovar a operação turca, pois retirou suas tropas de pontos estratégicos no norte do país, abrindo caminho para a ofensiva. A decisão provocou mal-estar entre os militares americanos já que os curdos foram os seus principais aliados na expulsão dos terroristas do Estado Islâmico na região. Alguns dias depois, Trump pediu o fim da ofensiva e autorizou sanções contra a Turquia.

Neste contexto, Trump decidiu enviar ao país o seu vice, Mike Pence, e seu secretário de Estado, Mike Pompeo. Erdogan disse que não se reunirá com nenhum dos dois.

"Não vou encontrá-los. Eles se encontrarão com seus colegas. Falarei quando Trump vier", declarou em entrevista à Sky News. Nesta quarta (16), porém, a presidência turca informou que ele se encontrará com Mike Pence.

O governo russo anunciou que Erdogan irá se encontrar com o presidente Vladimir Putin -- principal aliado do governo sírio. A data não foi informada.

Putin tenta restabelecer um diálogo com a Turquia - país com o qual a Rússia se aproximou, sobretudo após o governo de Erdogan comprar caças russos. Para o enviado especial do governo russo à Síria, Alexander Lavrentyev, "ninguém está interessado" em uma guerra entre tropas governistas sírias e forças turcas. "A Rússia não vai deixar isso acontecer", disse.

 

Combates e fuga de civis

 

Enquanto as novas alianças são formadas e prosseguem as tentativas de pressionar Erdogan a abandonar a ofensiva, os combates prosseguem na Síria. Na cidade fronteiriça turca de Ceylanpinar, era possível ouvir explosões na localidade de Ras al-Ain, onde os combatentes curdos tentam evitar o avanço das forças de Ancara.

Em sete dias, morreram 71 civis, 158 combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS), e 128 militantes pró-Turquia, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Ancara informou que seis soldados morreram na Síria, assim como 20 civis que foram atingidos por foguetes disparados por combatentes curdos contra cidades turcas.

A ofensiva provocou a fuga de 160 mil pessoas do norte da Síria, anunciou a Organização das Nações Unidas (ONU).

Vários países europeus temem uma fuga em massa de extremistas detidos em centros controlados pelos curdos já que as forças que cuidavam desses campos estão dedicadas a se proteger dos ataques turcos. Quase 12 mil combatentes do EI, que incluem de 2.500 a 3.000 estrangeiros, estão detidos nestes campos.

G1



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